18 de mar. de 2020 - Por Jacqueline Serafim
Foto: Reprodução
Os 1.888 passageiros do Cruzeiro Soberano, da Pullmantur, que deixaram o Brasil há 15 dias, rumo a Portugal, estão pedindo ajuda para deixar a Europa e retornar para casa. Nesta terça-feira (17/3), um grupo representando os turistas se reuniu em frente ao consulado brasileiro em Lisboa para expor a situação que todos estão vivendo, sem ter onde ficar e como viajar de volta ao Brasil.
A grande maioria é de brasileiros que tinham planos de viajar pelo continente europeu antes de a epidemia do coronavírus se tornar uma pandemia. Sem ter como seguir viagem ou remarcar as passagens de volta, o grupo aguarda medidas do governo brasileiro e também um posicionamento da CVC, empresa da qual compraram os pacotes, para saber como serão acomodados até que a situação seja resolvida.
Nesse grupo, há centenas de Potiguares tentando voltar pra casa. Dentre eles, está a natalense Ingrid Huane da Silva com seu marido e amigos, que gravou um vídeo para o BLOG DO BG, no dia 13 de março, dizendo que estavam vivendo momentos de desespero, diante da falta de informações a bordo do navio Soberano.
Outro familiar, informou ao BLOG DO BG que os seus sogros também estão no grupo. “Eles saíram no cruzeiro em Recife antes do surto da doença. Três dias depois começou o caos. O navio não atracou nos lugares programados até que eles chegaram em Lisboa”, disse.
Ele informou ainda, que o voo deles, por exemplo, estava marcado para segunda, 16, foi remarcado para esta quinta-feira, 19, e ontem foi cancelado. “A TAP e a CVC parecem não se preocupar com o problema. Os passageiros já pagaram por duas passagens e nada”, conclui.
Maurício da Rosa, 53 anos, viajou com a mulher Andrea Fernandes Rosa, e os filhos Gabriela e Matheus, para encontrar Bruna, que mora em Barcelona há um ano. “Saímos do Brasil há 15 dias, quando havia apenas dois casos suspeitos no país”, conta. O cruzeiro, com origem em Salvador e Recife e Portugal como destino, foi impedido de atracar em Lisboa e os passageiros só conseguiram desembarcar em Cádiz.
Ainda assim a autoridade portuária da Baía de Cádiz informou que “trata-se de uma exceção à ordem aprovada pelo conselho de ministros na passada quinta-feira, pela qual se proibia o atraque de cruzeiros em qualquer porto do país até ao próximo dia 26 de março, devido ao risco de propagação do Covid-19”. Os passageiros foram impedidos de voltar a entrar no cruzeiro, e 50 ônibus os levaram a Lisboa. “Os veículos foram escoltados”, recorda Maurício.
Segundo ele, que é gaúcho e mora em Porto Alegre, o primeiro-ministro português, António Costa, fez comentários contrários ao desembarque dos brasileiros pelas redes sociais. “Estamos à própria sorte. A CVC não está nos dando suporte. As companhias aéreas não estão remarcando as passagens. Apesar de constar que a troca é gratuita no site da empresa, é preciso pagar 500 euros. E quem comprou um novo bilhete também não está conseguindo viajar”, lamentou.
Maurício ressaltou que o grupo decidiu ir para a porta do consulado brasileiro em Lisboa. “Somos brasileiros e queremos voltar para o Brasil. Queremos uma posição. Conseguimos que algumas pessoas entrassem para representar os grupos, pois mais de mil brasileiros estão presos aqui em Lisboa”, afirmou.
O caso de Maurício é ainda mais complicado. A filha Bruna voou de Barcelona para Lisboa para encontrar a família e agora não consegue retornar para a Espanha. A outra filha, Gabriela, iria fazer um curso em Dublin, mas também não poderá viajar para a Irlanda.
“Nossos bilhetes de retorno saem de Barcelona, passam por Lisboa e voltam ao Brasil. Mas nós não conseguimos chegar a Barcelona. Agora a TAP (Transportes Aéreos Portugal) quer cobrar 500 euros para mudar o embarque para Lisboa, onde o avião vai parar de qualquer maneira”, diz.
A TAP também transferiu a data de retorno para 9 de abril, mas a família estava programada para voltar ao Brasil ainda em março. “Só para ficar esse tempo extra, vou gastar R$ 1,5 mil a mais por dia com hospedagem e alimentação para cinco pessoas. A minha estadia vence amanhã”, conta
Segundo Maurício, no consulado, pediram que fossem criados grupos, para mandarem planilhas com informações básicas de todos, como nomes e data do bilhete de retorno. “Estamos confeccionando esse material para ver se o consulado pode trabalhar a nosso favor”, disse. “Não estamos preocupados com o vírus, porque a situação está muito tranquila em Portugal, mas queremos voltar para a casa. Se tiver que cumprir quarentena, a gente cumpre, desde que seja no Brasil.Nós não estamos aqui de graça. Pagamos e pagamos caro”, disse.
Outro lado
Procurada, a CVC mandou o seguinte posicionamento: “O cruzeiro em questão é da companhia marítima Pullmantur, responsável pelo itinerário do navio Soberano, que teve sua rota alterada, devido às restrições das autoridades portuguesas. A agência de viagens CVC tem acompanhado de perto e atuado de forma ativa nas remarcações e embarques de passageiros para o retorno ao Brasil, independentemente do destino em que se encontram. Esse trabalho está sendo realizado em cooperação com as companhias parceiras, com o objetivo de atender nossos clientes com brevidade e segurança, considerando o cenário de reduções de voos internacionais e restrições de trânsito impostos por diversos governos ao redor do mundo.”
Em nota, o Itamaraty informou que os consulados e embaixadas do Brasil acompanham de perto a situação gerada por eventuais fechamentos de fronteiras por conta da pandemia de coronavírus, com especial atenção ao caso de turistas brasileiros no exterior. “Consulados e Embaixadas do Brasil permanecem à disposição para receber demandas dos brasileiros geradas por essa situação, sempre buscando prestar toda a assistência consular possível em cada caso concreto”, afirmou.
“Recomenda-se a todos os cidadãos brasileiros no exterior que mantenham a serenidade e observem estritamente as medidas determinadas pelas autoridades locais, e que, se necessário, busquem contato direto com o Consulado ou Embaixada do Brasil responsável pela região onde se encontram”, acrescentou o Itamaraty.
com informações do Correio Braziliense e BLOG DO BG
Fonte: Blog do BG
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