19 de mai. de 2014 - Por bruno
Por Josias de Souza
O vice-presidente Michel Temer ficará pendurado ao telefone pelos próximos 23 dias. Ele decidiu ligar para os 494 correligionários com direito a voto na convenção nacional do PMDB que decidirá o futuro da aliança com o PT federal. Como o encontro está marcado para 10 de junho, terá de executar mais de duas dezenas de telefonemas por dia. “Vou ligar para cada convencional”, disse Temer ao blog, “inclusive para aqueles que dizem votar contra a aliança.”
O PMDB chega à convenção no seu estado mais corriqueiro, trincado. A despeito disso, Temer está seguro de que a reedição da aliança será aprovada: “É claro que temos dificuldades. Mas tudo indica que venceremos a convenção.” O senador Valdir Raupp (RO), no exercício da presidência do PMDB desde que Temer se licenciou para assumir um gabinete no edifício-anexo do Planalto, soa ainda mais otimista: “Creio que a aliança vai passar com muita folga.”
O número de votos não coincide com o de votantes. Conforme as posições que ocupam na hierarquia da legenda, alguns convencionais têm direito de votar mais de uma vez. Estarão em jogo cerca de 700 votos. O grupo de Temer estima que ele será reconduzido à chapa encabeçada pela petista Dilma Rousseff com pelo menos 70% desse total.
Curiosamente, as maiores resistências à renovação da aliança vêm da Câmara, a Casa de origem de Temer. Os deputados do PMDB continuam rendendo homenagens a Temer. Mas não suportam Dilma. A antipatia é recíproca. Sempre que pode, a presidente sinaliza o seu desapreço. Que é maior em relação ao líder da bancada, o deputado Eduardo Cunha (RJ).
O nariz torcido dos deputados levou-os a forçar a realização de um encontro da cúpula do partido. Aconteceu na última quarta-feira, num hotel de Brasília. Reuniu a Executiva do partido, presidentes de diretórios estaduais e membros das bancadas na Câmara e no Senado. Durante os debates, Dilma e o PT sofreram algo muito parecido com umespancamento verbal. Mas Temer e Raupp enxergaram pontos positivos em meio à adversidade.
Discursaram contra a aliança representantes do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Ceará, Mato Grosso do Sul e Goiás. A favor, manifestaram-se São Paulo e Minas Gerais, por escrito; além de Alagoas, Pará e Amazonas, que se expressaram pelas vozes dos senadores Renan Calheiros (AL), Jader Barbalho (PA) e Eduardo Braga (AM).
“Os que falaram contra não representam nem 5% dos diretórios a que pertencem”, disse Raupp, exagerando no otimismo. “Estou certo de que teremos votos favoráveis mesmo daqueles cujos Estados não poderão apoiar a chapa”, ecoou Temer, sem mencionar percentuais. Ele avalia que seu nome continua a merecer o apoio de muitos dos que fazem objeções a Dilma e ao PT.
Por exemplo: falando pelo Rio de Janeiro, o deputado Leonardo Picciani (RJ) defendeu abertamente o desembarque da aliança com o PT federal. Verbalizou a irritação do PMDB fluminense com o fato de o petismo ter rompido a parceria no Estado, lançando a candidatura do senador Lindbergh Farias. Mas Temer tomou nota de declarações feitas por outro representante do Rio: o deputado estadual Paulo Melo.
“Ele é presidente da Assembléia Legislativa e vice-presidente do PMDB estadual”, realçou Temer. “Também falou dos problemas, mas declarou que o ex-governador Sérgio Cabral, o governador Luiz Fernando Pezão e o prefeito Eduardo Paes estão apoiando a Dilma e a chapa.”
Pelo Rio Grande do Sul, manifestou-se no encontro de quarta-feira o deputado Osmar Terra. Rendeu homenagens a Temer. Mas fez um discurso duro, contra a reedição da aliança com o PT. O PMDB lançou como candidato ao governo gaúcho o ex-prefeito José Ivo Sartori. Que terá como parceiro de chapa, disputando o Senado, o deputado Beto Albuquerque, líder na Câmara da bancada do PSB, partido do presidenciável Eduardo Campos.
Apesar disso, Temer não considera perdidos todos os votos dos convencionais do Rio Grande do Sul. Ele conta que, após a reunião de quarta-feira, recebeu em seu gabinete um grupo de prefeitos do PMDB gaúcho. Estavam acompanhados do deputado Eliseu Padilha, seu aliado, e do presidente do PMDB no Estado, Édson Bruno. “Eles me disseram que vão obter mais da metade dos votos do Rio Grande do Sul para a chapa”, disse Temer.
Em nome de Pernambuco, falou no encontro de quarta o deputado Raul Henry, que segue a liderança do senador Jarbas Vasconcelos, um declarado apoiador do presidenciável do PSB. Henry soou ácido em suas críticas ao governo Dilma. “Mas os votos de Pernambuco também vão se dividir na convenção”, aposta Temer. Como assim? “É claro que lá, o partido apoia Eduardo Campos. Mas nós temos o prefeito de Petrolina, Júlio Lossio, que apoia a nossa chapa.”
Ex-ministro de Lula e ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal, Geddel Vieira Lima reiterou que, na Bahia, frequentará o palanque presidencial do tucano Aécio Neves. Ele é candidato ao Senado, na chapa que tem como postulante ao governo baiano Paulo Souto, filiado ao DEM e apoiado pelo PSDB.
“O Geddel disse pessoalmente ao Temer que, apesar da posição estadual, 100% dos convencionais baianos votarão a favor da aliança nacional”, contemporizou Valdir Raupp. É verdade? “De fato, ele me disse”, confirmou Temer. “Geddel falou que, no Estado, vai com Aécio. Mas levará os delegados para votar em mim na convenção nacional”, acrescentou, crédulo.
Candidato a governador do Mato Grosso do Sul, contra o senador petista Delcídio Amaral, o deputado Fábio Trad também disse cobras e lagartos do PT e de Dilma no encontro da semana passada. Mas Temer pondera: “Ele declarou que, lá no Estado, o PMDB vai brigar com o PT. Apesar disso, disse expressamente: ‘o goverandor André Puccinelli, nosso líder, já declarou apoio à chapa Dilma-Temer’.”
Temer esteve no Mato Grosso do Sul há três semanas. “Lá, obtive o apoio do Puccinelli e de todos”, relata. O vice-presidente cogita realizar outras viagens até o dia da convenção. “Está na minha pauta. Vou verificar como posso viajar a outros Estados, para fazer reuniões com o partido.” Simultaneamente, ele se esforça para pacificar as relações do PMDB com o PT nas praças em que o caldo ainda não entornou por inteiro. Entre elas o Ceará, onde o senador Eunício Oliveira, candidato a governador bem posto nas pesquisas, ameaça se compor com o tucano Tasso Jereissati, candidato ao Senado.
Fonte: Blog do BG
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