14 de dez. de 2013 - Por bruno

Exibir os músculos sarados no verão é um dos troféus mais cobiçados na era do culto ao corpo. No fim do ano, consultórios de nutrição esportiva na capital chegam a registrar um aumento de 50% em seu movimento. Há profissionais da área que turbinam os resultados graças a uma roleta-russa química na qual se destaca o abuso dos esteroides anabolizantes.
Hormônios masculinos sintetizados em laboratório, eles estimulam a produção de proteína nas células musculares e, em sua utilização terapêutica, auxiliam na recuperação da massa corporal de pacientes debilitados por câncer ou aids, entre outras aplicações.
Nas últimas décadas, popularizaram-se muito no meio das academias, onde são chamados de “bombas” graças ao seu efeito potente no organismo. Utilizadas em alta dosagem, tais drogas funcionam como um elixir mágico capaz de transformar o físico de pessoas em um curto espaço de tempo, rendendo doses extras de força e acelerando o processo de recuperação depois dos exercícios. Mas essa é uma terapia bastante perigosa.
A lista de efeitos colaterais inclui doenças cardíacas e tumores no fígado. Devido a isso, a prescrição dos medicamentos a pessoas saudáveis é proibida pelo Conselho Federal de Medicina. Quem as receita para fins estéticos está sujeito a um processo que pode resultar, em última instância, na cassação do diploma. Alguns não se importam em correr os riscos. A forte demanda, a fiscalização frouxa e os altos lucros falam mais alto.
Em São Paulo, um dos profetas da turma da malhação intensiva é Mohamad Barakat, um oftalmologista que aposentou o aparelho óptico e passou a fazer sucesso no mercado de fitness. Aos 50 anos, ele é uma espécie de propaganda ambulante do negócio. Suas camisas justas parecem cuidadosamente escolhidas para mostrar os 110 quilos distribuídos pela silhueta. “Tenho de me cuidar”, explica Barakat, contando que já foi um garoto obeso na infância. “Fiz bastante musculação e, nos últimos tempos, estou me dedicando ao tênis.”
Na sala de espera de seu consultório na Avenida Brasil, batizado com o pomposo nome de Instituto de Medicina Integrada, Longevidade e Performance Humana, pode-se encontrar uma fauna variada de famosos, que inclui um esquadrão de ex-panicats, a apresentadora Adriane Galisteu, o atacante Guerrero, do Corinthians, e executivos como Lásaro do Carmo Júnior, presidente da Jequiti, empresa de cosméticos do Grupo Silvio Santos.
Quem vai até lá pela primeira vez preenche os dados cadastrais em um tablet. Na alta temporada, Barakat recebe por dia cerca de trinta pessoas, que pagam 750 reais por uma consulta. Na época de pico de trabalho, portanto, o endereço fatura mais de 100 000 reais por semana. “Chego a ficar aqui até as 3 horas da madrugada para atender quem procura um encaixe”, conta.
Aos que despencam ali dispostos a fazer qualquer negócio, o especialista diz ter uma fórmula. “Falo para essas pessoas que vou deixá-las ótimas para o verão… de 2015”, brinca, emendando a história de um rapaz que lhe pediu insistentemente uma poção para encurtar o caminho rumo à sonhada barriga tanquinho.
“Abri a gaveta e falei para ele: ‘Tome, aí vai o pó de pirlimpimpim’ ”, lembra. Moral da história: “Não existe um passe mágico”. Seguindo a mesma linha de raciocínio, Barakat diz ser contra a aplicação de esteroides anabolizantes para fins estéticos. “Nunca uso hormônios se o indivíduo tem saúde normal. Acho inadmissível”, afirmou.
sse não é o único profissional da metrópole que recomenda anabolizantes e outros hormônios sintéticos para quem deseja acelerar o crescimento do corpo. A reportagem obteve receitas semelhantes de outros especialistas Yasser Maciel Jorge, da Clínica Pollyanna Esteves, voltada para medicina e nutrição personalizada, na Vila Mariana, prescreveu uma ampola de deposteron a cada sete dias.
“Depois de duas ou três semanas, a gente vê como o corpo vai reagir”, disse. “Aí, aumenta a dose ou diminui.” Outro especialista, Carlos Eugênio Ventura Lopes, que tem uma clínica no Itaim, recomendou injeções de 25 miligramas de deca-durabolin duas vezes ao mês. “Fica uma coisa bem segura para trabalhar”, disse.
Veja
Fonte: Blog do BG
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