20 de fev. de 2018 - Por Rodrigo Matoso

Há muito ainda o que ser investigado e revelado sobre as denúncias que cercam alguns dos maiores nomes de Hollywood desde que os movimentos #MeToo e Time’s Up colocaram em pauta a cultura de assédio sexual na indústria do entretenimento. No entanto uma coisa é clara: há mais gente do que imaginávamos que não consegue manter uma relação saudável com o sexo.
Soterrados por denúncias, o ator Kevin Spacey e o produtor Harvey Weinstein buscaram refúgio na clínica The Meadows. Sobre o astro de “House of cards”, pesam acusações de ter assediado um adolescente em 1986, quando o jovem tinha 14 anos e ele, 26, além de ter perseguido parte do seu staff na série da Netflix. Por sua vez, Weinstein, produtor de filmes como “Pulp fiction” e “Kill Bill” e já dono de má fama em relação às mulheres, foi completamente exposto após uma série de reportagens detalhadas. Na última delas, uma de suas maiores estrelas, Uma Thurman, revelou ter sido também sua vítima.
Não se sabe se a decisão de Spacey e Weinstein é um reconhecimento de que eles precisam se tratar ou apenas uma estratégia de gerenciamento de crise de seus assessores — afinal, o produtor não ficou mais do que uma semana internado e, a caminho da clínica, se despediu de repórteres de forma “singela”, exibindo os dois dedos médios. De toda forma, o fato é que a compulsão sexual é uma condição reconhecida pela psiquiatria e que exige tratamento. A internação, no entanto, só é necessária em casos extremos, orientam especialistas.
‘A pessoa passa a fazer sexo não porque quer, mas porque sente a necessidade. É o comportamento que a escolhe, ao invés do contrário. Também é comum que ela passe a ter problemas na vida social, como dar em cima de alguém que não daria’(ADERBAL DE CASTRO VIEIRA JR) -Psiquiatra da Unifesp.
— Os tratamentos variam — explica Aderbal de Castro Vieira Jr., psiquiatra do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes (Proad) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) — Por aqui, nossa pegada é psicoterapêutica: entendemos que a dependência tem uma história e buscamos entendê-la, saber de que forma o paciente chegou a ela. O remédio pode ser fundamental em alguns casos, mas, sozinho, não é suficiente. Vieira ainda esclarece como é feito o diagnóstico da dependência: de acordo com ele, o que vai definir se alguém é viciado em sexo não é a quantidade de parceiros nem a frequência da prática, mas a forma como a pessoa lida com suas relações:
— A pessoa passa a fazer sexo não porque quer, mas porque sente a necessidade. É o comportamento que a escolhe, ao invés do contrário. Também é comum que ela passe a ter problemas na vida social, como dar em cima de alguém que não daria. Finalmente, há um empobrecimento do horizonte existencial da pessoa: todas as outras coisas na sua vida são substituídas pela busca por sexo — enumera o especialista.
Ver o seu “horizonte existencial” reduzido à busca pelo prazer foi o que aconteceu com o funcionário público Gabriel F. (pseudônimo escolhido por ele para dar entrevista), de 32 anos. Ele chegou a realizar 20 testes de HIV, por causa das inúmeras relações que teve com desconhecidos sem camisinha, e a acumular R$ 50 mil em dívidas por suas despesas com garotos de programa até decidir que era hora de buscar ajuda. Hoje, Gabriel faz terapia de duas a três vezes por semana, além de tomar remédios e participar de reuniões do grupo Dependentes de Amor e Sexo Anônimos (Dasa) do Rio de Janeiro, irmandade equivalente ao Alcoólicos Anônimos. A decisão de se tratar partiu depois de um episódio divisor, quando ele se viu perseguindo um conhecido.
Leia reportagem completa de O Globo aqui
Fonte: Blog do BG
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