02 de jul. de 2013 - Por bruno

Foto: Divulgação
Deve ser vista com cautela e desapaixonadamente a proposta de plebiscito apresentada pela presidente Dilma Rousseff em substituição à frustrada – e impensada – tentativa de convocar uma Assembleia Constituinte específica para a reforma política.
O modelo de “democracia direta” sugerido por uma ala do PT nada mais é que uma clonagem de igual procedimento muito bem sucedido nos governos chavistas que se proliferaram na América do Sul.
A sugestão de plebiscito não tem sido outra coisa senão, até agora, um bem orquestrado golpe de marketing produzido no Palácio do Planalto com duas finalidades: afinar a presidente aos anseios da ruas e jogar para o Congresso Nacional uma responsabilidade que deve ser compartilhada com todas as esferas de poder. Por enquanto, tem dado certo, mas o movimento dos parlamentares em reação à estratégia está começando a converter em ruína o que tinha tudo para ser um caso bem sucedido de oportunismo.
Se o governo quer mesmo aprovar as vontades populares na reforma política, que convoque sua base governista, dita maioria no Congresso, e submeta as propostas à apreciação da atual casa legislativa. Ou a maioria do governo existe só no papel?
A ideia de ouvir a população para definir as mudanças, acredito, deveria vir, se necessária mesmo, através de referendo. E isso não impediria que setores organizados da sociedade civil participassem ativamente da elaboração das propostas e discussões que deverão ocorrer no Congresso. Mas o governo mira o outro lado.
Em entrevista a’O Globo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, prometeu cortes em gastos de custeio e/ou aumento de impostos a fim de compensar estas despesas.
Chega a ser um acinte admitir aumentar a já elevada carga tributária, quando o governo gasta R$ 611 bilhões por ano – ou quase US$ 300 bilhões – para manter uma enorme máquina burocrática, com 39 ministérios, quase 1 milhão de funcionários e 22 mil servidores apaniguados, donos de cargos ditos de confiança, para os quais são nomeados por afinidades pessoais e ideológicas. Explica-se o mau humor demonstrado nas manifestações. Vandalismo à parte.
Fonte: Blog do BG
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