26 de mai. de 2024 - Por Rodrigo Freire
Foto: Freepik
Adoro um cafezinho. Já coloquei em sobremesas e até no sorvete. Hoje, coloco-o neste artigo. Bem, enquanto tomo meu cafezinho diário, fiquei ligado na subida do preço desse item tão presente na vida do brasileiro. A inflação no Brasil em 2023 foi de 4,62%. Sabemos que é uma média, pois há produtos que sobem bem mais que outros e ainda há aqueles que baixam de preço, como os carros, por exemplo.
A verdade é que o que importa é a inflação de cada um de nós. A minha inflação é diferente da sua, que é diferente da do seu vizinho. Se em janeiro anotarmos os itens que consumimos e acompanharmos o preço até o final do ano, teremos a inflação individual. Como os produtos que consumo não são iguais aos seus, nossa inflação também não será. Não é difícil encontrar itens com 40 ou 50% de aumento, como alguns cafezinhos.
— Uma realidade bem amarga.
Confesso que tenho dificuldade de entender por que sobe tanto o preço do nosso cafezinho e como pode um expresso custar até R$ 9,00. Segundo o site ExpressoArt, 1 quilo de pó de café rende 142 xícaras de 50 ml. Ora, uma xícara custando 9 reais, multiplicando por 142, chegamos a 1.278 reais o preço apurado pelo quilo de café. Em alguns casos, esse mesmo café era vendido por quase metade do valor há um ano. Que coisa!
Logicamente, este preço varia de local para local. Peguei a referência de R$ 9,00 pois foi o valor que encontrei em alguns pontos dos nossos shoppings. Você pode pensar que tudo subiu, concordo. Aliás, tudo relacionado ao lazer barato ou à necessidade do brasileiro, como feira e remédios, também subiu muito. Contudo, poucos itens subiram tanto quanto o cafezinho.
Diversos outros itens não subiram tanto. Em 2023, o arroz subiu 24,54%, a couve-flor, 24,10%, a manga 30%, a laranja lima 19%, e a gasolina, 12,09%.
Espero não queimar a língua, mas realmente fica difícil compreender como somos um dos maiores produtores de café do mundo e tomei um expresso em Lisboa, em janeiro de 2024, num grande shopping, pagando 1 euro (aproximadamente R$ 5,50). A carga tributária? Não sei quanto é em Portugal, mas no Brasil, os impostos que incidem sobre o pó de café são da ordem de 16,50%. O salário mínimo no Brasil é menor e subiu 6,97% em 2024.
Não sou economista. Apenas um consumidor que, assim como você, cafeinado leitor, carrego minhas percepções. O que me parece é que fica difícil controlar a inflação apenas com a taxa Selic alta, pois só diminui o consumo de itens que precisam de financiamentos. Afinal, a taxa de juros alta retrai o consumo desses itens mais caros. Entretanto, o lazer barato, a alimentação e os itens de necessidade sobem a todo vapor. E essa situação, assim como o excesso de cafeína, tira o sono de todos nós brasileiros.
Marcus Aragão
@aragao01
Fonte: Blog do BG
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