16 de jun. de 2021 - Por Rodrigo Freire
Foto: Adriano Machado/Reuters
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) voltou a subir, nesta quarta-feira, 16, a taxa básica de juros da economia brasileira, passando a Selic de 3,50% para 4,25% ao ano. Esta é a primeira vez desde 2015 que o colegiado aumenta a Selic em três reuniões seguidas. O novo acréscimo de 0,75 ponto percentual já era esperado pelo mercado financeiro e dá continuidade à política de reajuste da taxa de juros após quase seis anos de cortes ou congelamentos em patamares reduzidos.
O colegiado já havia ajustado a Selic com a mesma magnitude em março e maio, elevando a taxa de 2% para o atual patamar. A nova alta deixa os juros no mesmo estágio de fevereiro de 2020. O avanço da Selic ocorre em meio à escalada da inflação, que foi a 8,06% nos 12 meses encerrados em maio, bastante cima do teto da meta de 5,25% perseguida pelo Banco Central — com centro de 3,75% e piso de 2,25%.

Analistas chegaram a estimar que a autoridade fosse lançar mão de um avanço de 1 ponto percentual na Selic para evitar que as pressões inflacionárias deste ano contaminem as expectativas para 2022, quando o BC terá a meta de 3,50% — com variação de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. O mercado financeiro estima que a Selic encerre 2021 a 6,25% ao ano, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, 14. A próxima reunião do colegiado será entre os dias 3 e 4 de agosto.
Em nota, o Copom afirmou que deve fazer um novo aumento de 0,75 ponto percentual no próximo encontro, elevando a Selic para 5% ao ano, mesmo patamar de outubro de 2019. “Contudo, uma deterioração das expectativas de inflação para o horizonte relevante pode exigir uma redução mais tempestiva dos estímulos monetários.
O Comitê ressalta que essa avaliação também dependerá da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e de como esses fatores afetam as projeções de inflação”, informou o comunicado. A autoridade monetária nacional também afirmou que deve promover a normalização da taxa básica de juros para o patamar considerado neutro, que, segundo analistas, é próximo de 6,5% ao ano.
“Esse ajuste é necessário para mitigar a disseminação dos atuais choques temporários sobre a inflação.” O colegiado ainda afirmou em nota que a pressão inflacionária está mais forte do que o esperado, e que os fatores de risco estão na elevação das commodities e no risco fiscal brasileiro. “Apesar da melhora recente nos indicadores de sustentabilidade da dívida pública, o risco fiscal elevado segue criando uma assimetria altista no balanço de riscos, ou seja, com trajetórias para a inflação acima do projetado no horizonte relevante para a política monetária”, informou.
Jovem Pan
Fonte: Blog do BG
Carregando comentários...

08 de ago. de 2026

08 de ago. de 2026

08 de ago. de 2026

08 de ago. de 2026