15 de mai. de 2013 - Por bruno

Foto: Divulgação
Por Josias de Souza:
O processo de votação da MP dos Portos levou o Congresso brasileiro a adotar um comportamento de alto risco. Instaurou-se uma espécie de suicídiocracia nas duas cuias do prédio de Niemeyer —a da Câmara, virada para o alto; e a do Senado, com a boca para baixo.
A tendência à autodesmoralização do Parlamento já era conhecida. Mas ela foi potencializada desde a semana passada, quando Anthony Garotinho (PR) declarou que a MP sob análise não é dos portos, mas dos porcos. Eduardo Cunha (PMDB), alvo do ataque, pespegou no orador a pecha de quadrilheiro.
Retomada nesta terça-feira, a votação ganhou ares de roleta russa. Contrariado numa emenda, Paulo Pereira da Silva (PDT), o Paulinho da Força, acusou o governo de “fraudar” um acordo. É “sacanagem” com os portuários, disse. PSDB e DEM declararam-se “em obstrução”. Sob suspeição não dá para votar, alegaram.
Garotinho deu nova volta no tambor do revólver. Levou ao microfone um nome manjado: Daniel Dantas. Insinuou que Senhor Opportunity comandaria a pocilga. Insinuando que tucanos e ‘demos’ conhecem bem o personagem, aconselhou Carlos Sampaio e Ronaldo Caiado, líderes do PSDB e do DEM, a tocar o telefone para Dantas. Caiado ferveu.
“Eu estou convencido de que V. Exa. faz parte do chiqueiro. Está com a catinga dos porcos. Sua vida pregressa me credencia a falar isso. Condenado a prisão por dois anos e seis meses. Homem que desvia dinheiro público. V. Exa. não tem credibilidade.”
De repente, Caiado se deu conta de que o tratamento cerimonioso já não ornava com o ambiente. “Garotinho não pode ser tratado de excelência. Ele é tratado de chefe de quadrilha. […] Chefe de quadrilha tem que estar é na cadeia. Se eu fosse presidente da Casa nessa hora, eu ia mandar o sistema de segurança prendê-lo agora.”
Casa revisora, habitada por vetustas figuras, o Senado decidiu esticar a sessão por cinco horas e meia. Ante a evidência de que os senadores encheriam linguiça até a meia-noite para, no dia seguinte, carimbar a MP sem mais delongas, Jarbas Vasconcelos (PMDB) constatou: viramos “meninos bobos, meninos buchudos.”
A MP dos Portos chegou à Câmara em dezembro de 2012. A despeito de dispor de uma maioria amazônica, o Planalto fechou os olhos para a embromação que condenou os congressistas a deliberar em meio a uma corrida contra o relógio. Está provado: instituições também se suicidam.
Quem quiser criticar o Congresso dispõe de farta matéria prima. Mas não convém fazer isso em voz alta. Os deputados ainda não concluíram a votação. Nem sabem se será possível fechar a pocilga antes da meia-noite. Os senadores matam o tempo. Convém não provocá-los.
No final da tarde, contrariado com os entreveros que retardaram a votação, o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), líder de Dilma Rousseff na Câmara, declarou-se preocupado com o risco de “isso aqui virar hospício.” Imagine uma crítica mais pesada num ambiente desses. O risco de o Congresso atear fogo às vestes é grande, muito grande, enorme. Portanto, psssssssss!
Do Blog: Acreditem se quiser, depois de toda essa palhaçada a MP dos portos ainda não foi concluida na câmara, a sessão teve de ser interrompida às 4 da manhã por falta de quórum.
Fonte: Blog do BG
Carregando comentários...

18 de ago. de 2026

18 de ago. de 2026

18 de ago. de 2026

18 de ago. de 2026