03 de fev. de 2019 - Por bruno

Foto: Divulgação
Pela primeira vez desde que o impasse político se instalou na Venezuela, um general venezuelano da ativa negou a legitimidade de Nicolás Maduro e reconheceu Juan Guaidó como presidente interino do país.
— Sou o general de divisão Francisco Estebán Yánez, diretor de Planificação Estratégica do Alto Comando Militar da Aviação, e me dirijo a vocês para lhes informar que desconheço a autoridade ilícita e ditatorial de Nicolás Maduro, e que reconheço o deputado Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela — afirma o militar, em vídeo divulgado no Twitter neste sábado. — Povo da Venezuela, 90% das Forças Armadas da Venezuela não estão com o ditador, estão com o povo da Venezuela.
Por uma rede social, o conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton, conclamou os militares a seguir o exemplo de Yánez. “Os Estados Unidos chamam todos os militares a seguirem o exemplo do general Yánez e a proteger os manifestantes pacíficos que apoiam a democracia”, disse Bolton.
Os EUA lideram um grupo de 19 países que reconhecem Guaidó como presidente interino. Cinco países europeus, incluindo França e Espanha, ameaçaram reconhecer o opositor se Maduro não aceitasse a realização de eleições livres em um prazo de oito dias, que vencem nesta segunda-feira.
As Forças Armadas são a principal sustentação do poder de Maduro e podem definir se a pressão interna e externa que o mandatário enfrenta surtirá efeito. A Venezuela tem mais de 600 generais, cujas declarações públicas são rigidamente controladas pelos serviços de inteligência do país.
Acredita-se que a insatisfação com Maduro seja alta em patentes mais baixas, mas pouco se sabe sobre o nível de apoio de que o regime atual dispõe entre as patentes mais elevadas. Entende-se que muitos militares dispõem de vantagens, que receariam perder em caso de mudança de regime.
Yánez, que, no vídeo disponibilizado, aparece com duas estrelas em sua farda, não é o primeiro general a desertar, mas o primeiro a fazê-lo desde que Guaidó se autoproclamou presidente interino do país.
EMBAIXADOR
O embaixador da Venezuela no Iraque, Jonathan Velasco, se afastou neste sábado (2) do presidente Nicolás Maduro por considerar que seu governo violou a Constituição do país e se colocou à disposição do presidente do parlamento, o opositor Juan Guaidó, que em 23 de janeiro se autoproclamou como presidente interino.
Os opositores venezuelanos e partidários do regime Maduro saíram às ruas neste sábado em manifestações contra e a favor do governo chavista. Após os protestos, Guaidó anunciou uma nova data de mobilização, dia 12 de fevereiro.
“O senhor presidente Guaidó, o senhor está do lado certo da história, do povo e da Constituição. Por isso, nos colocamos a serviço do Estado que o senhor constitucionalmente representa e dirige”, disse Velasco em um vídeo veiculado pelas redes sociais.
O diplomata destacou que Maduro e “seu clã de usurpadores ultrapassaram uma barreira que rompe o limite admissível entre ser um funcionário de Estado e cúmplice de um governo usurpador”.
O embaixador indicou que a Assembleia Nacional (AN, parlamento) é o “único poder da República apegado à ética, à legitimidade e à legalidade”, e garantiu que esta instituição é a responsável por preencher o vazio de poder criado pela violação da Constituição.
“Apoiar o presidente da Assembleia Nacional é nossa obrigação, dever e responsabilidade constitucional. O engenheiro Juan Guaidó tem o direito e o dever constitucional de assumir a Presidência da República”, afirmou o embaixador.
O GLOBO E G1
Fonte: Blog do BG
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