02 de jul. de 2012 - Por bruno

Foto: Divulgação
Essa excelente reportagem está no Estadão. Segue:
O vinho sempre foi considerado como um deflagrador de enxaqueca. Estudo inédito mostra que a bebida não é tão culpada no que diz respeito às crises de dor de cabeça como se pensava.
A pesquisa, coordenada pelo neurologista brasileiro Abouch Krymchantowski e apresentada no 54.º Congresso Americano de Cefaleia, há duas semanas, mostra que apenas 33% das pessoas que tomam vinho frequentemente têm deflagrada a crise. E algumas variedades da bebida têm potencial maior de provocar os sintomas do que outras.
Especialista em cefaleia, Krymchantowski selecionou 40 pacientes que estavam em tratamento para enxaqueca, que apreciavam vinho e relatavam crises após a ingestão da bebida. Cada um deles foi convidado a tomar meia garrafa de vinho das variedades Malbec, Tannat, Cabernet Sauvignon e Merlot, todos da América do Sul, e com intervalo mínimo de 4 dias entre eles – 33,4% relataram ter tido enxaqueca em todas as ocasiões; 54% sentiram-se mal em duas ocasiões; e 87% tiveram dor ao menos uma vez.
Ao comparar o efeito gatilho entre os pacientes que sentiram-se mal ao menos duas vezes depois de beber o vinho, o Tannat e o Malbec foram as variedades que desencadearam a enxaqueca com maior frequência, 51,7% e 48,2% respectivamente. Cabernet Sauvignon e Merlot causaram dor em menos de 30% das vezes em que foram ingeridos.
Krymchantowski explica que Tannat e Malbec são variedades que têm mais tanino, radicais flavonoides responsáveis pela cor escura do vinho. “É esse composto que faz o vinho ser saudável para o coração, mas também provoca uma mobilização súbita da serotonina que desencadeia a enxaqueca”, diz o neurologista.
A pesquisa foi tão bem recebida que, 24 horas após a apresentação no congresso, foi reproduzida por 549 sites médicos dos EUA.
Krymchantowski está ampliando o estudo – vai comparar o efeito do Cabernet Sauvignon francês com o produzido na América do Sul. “Ao que parece, o francês tem mais tanino.”
Para o Krymchantowski, as pessoas que sofrem de enxaqueca não devem abandonar o vinho. “O importante é não combinar fatores que trazem a crise, como beber de estômago vazio, após um dia de estresse”, diz.
A empresária Thaís Freitas, de 27 anos, preferiu testar a variedade que menos provocava crises – escolheu o Cabernet Sauvignon. “Fico bem, não tenho nada. Mas, se tomar o Malbec fico com muita dor de cabeça. É crise na certa”, conta a empresária, que teve a primeira enxaqueca aos 3 anos e hoje está em tratamento. “Além da dor, eu tenho outros sintomas, como formigamento de um lado do corpo e perturbação visual. Tomo um medicamento manipulado antes de dormir e faço exercício aeróbico para controlar as crises.”
A enxaqueca é uma doença que afeta neurotransmissores e atinge 15% da população do País, de acordo com estimativa da Sociedade Brasileira de Cefaleia. O cérebro fica mais sensível a estímulos, o que desencadeia crises de dor, que pode vir acompanhada de outros sintomas, como acontece com Thaís. A doença não deve ser confundida com a dor de cabeça ocasional e deve ser diagnosticada e tratada por especialista.
Fonte: Blog do BG
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