26 de jan. de 2024 - Por Rodrigo Freire
Foto: Sergio Lima/Poder 360
A Gol deve para entre 50.001 e 100.000 credores, mostra o pedido de recuperação protocolado no Tribunal de Falências dos Estados Unidos para o Distrito Sul de Nova York na tarde quarta-feira (25). O documento agora obtido pela Folha foi primeiro publicado pelo jornal O Globo.
No topo da lista de credores com mais créditos a receber estão o banco americano BNY Mellon (dívidas financeiras), o Comando da Aeronáutica (por serviços de controle de tráfego aéreo e auxílio de navegação), a distribuidora de combustíveis Vibra (antiga BR) e a fabricante de aeronaves Boeing.
A aérea afirmou à Justiça americana o montante de credores, segundo estimativas próprias. A Americanas, por exemplo, tem 9.000 credores —a companhia supera em cinco vezes a varejista, na melhor das hipóteses.
A dívida tem piso de US$ 1 bilhão (R$ 4,92 bilhões), pode chegar a US$ 10 bilhões (R$ 49,2 bilhões) e fica em patamar similar aos ativos da aérea.
Para comparação, os débitos da Latam em 2020 somavam cerca de US$ 18 bilhões (R$ 94,9 bilhões no câmbio atual) durante processo de reestruturação de dívida similar.
Questionado sobre a dimensão da dívida em entrevista coletiva realizada na quinta-feira (25), o presidente da Gol, Celso Ferrer, afirmou que “ainda é muito cedo para saber exatamente o que vai ser negociado”.
Ferrer também citou os altos custos operacionais de uma companhia aérea e disse que o preço do combustível de aviação é cerca de 40% mais caro no Brasil do que no resto do mundo. “Esse setor é muito demandante de crédito”.
O documento entregue pela Gol aponta apenas as 30 maiores dívidas, a 27 empresas. Esses compromissos somam um débito de R$ 4,76 bilhões, na cotação atual.
O braço comercial da Boeing é a quarta maior credora, com R$ 75 milhões a receber.
Agências de risco estimam que a dívida total da Gol fique em torno de R$ 20 bilhões.
Do total da dívida da empresa, cerca de R$ 3 bilhões vencem no curto prazo (em até 12 meses). A companhia, no entanto, não teria caixa suficiente para honrar esses compromissos, segundo pessoas a par das negociações.
O problema da Gol, segundo agências de risco, não é operacional. Os resultados são positivos. No entanto, ela não tem novas garantias suficientes para trocar toda essa dívida vincenda.
Folhapress
Fonte: Blog do BG
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