15 de jul. de 2014 - Por bruno
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil
Após uma dura negociação entre os cinco países do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), os líderes do bloco decidiram, nesta terça-feira, que o banco de desenvolvimento que financiará projetos de infraestrutura de nações emergentes será presidido pelos indianos e sede escolhida é a cidade chinesa de Xangai. Foi uma derrota sofrida pelo governo brasileiro, que até o último momento lutou para que o Brasil fosse o primeiro presidente da instituição. Ainda não há informação sobre o tempo de mandato da presidência.
Segundo a Declaração de Fortaleza, divulgada nesta terça-feira, caberá ao Brasil a presidência do conselho de administração do banco, enquanto a Rússia presidirá o conselho de governadores. A instituição terá um capital inicial de US$ 50 bilhões, podendo chegar a US$ 100 bilhões.
Foi, ainda, criado o Arranjo Contingente de Reservas (ACR) do Brics. O novo instrumento terá US$ 100 bilhões para dar apoio aos membros que estiverem com problemas em seu balanço de pagamentos. Segundo nota oficial do BC, a China entrará com US$ 41 bilhões, Brasil, Índia e Rússia com US$ 18 bilhões cada um e a África do Sul terá US$ 5 bilhões. “A eventual liberação dos recursos se dará por meio de operações de swap, pelas quais o país solicitante receberá dólares e em contrapartida fornecerá sua moeda aos países contribuintes, em montante e por período determinados.”, disse a nota, lembrando que o ACR não acarretará a transferência de reservas internacionais uma vez que os recursos comprometidos só serão efetivamente sacados na eventualidade de um membro obter apoio.
Também foram assinados dois acordos de cooperação: um entre as garantidoras de crédito à exportação dos cinco países e outro entre os bancos de fomento do Brics – no caso do Brasil, o signatário foi o presidente do BNDES, Luciano Coutinho.
Mais cedo, no hotel em que está hospedado, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, destacou a importância dos novos instrumentos:
— Se fecharmos o banco de investimentos e o Arranjo Contingente de Reservas, o Brics terá ido além de Bretton Woods.
O BNDES também informou que os bancos de desenvolvimento destes países fecharam um acordo voltado à inovação. O acordo foi assinado após um painel em Fortaleza que contou com os presidentes Luciano Coutinho, do BNDES; Vladimir Dmitriev, do russo Banco Estatal de Desenvolvimento e Assuntos Econômicos Internacionais (Vnesheconombank); Yaduvendra Mathur, do Eximbank da Índia; Hu Huaibang, do Banco de Desenvolvimento da China (CDB); e Jabulani Moleketi, presidente do Banco de Desenvolvimento do Sul da África (DBSA).
O Globo
Fonte: Blog do BG
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