10 de mai. de 2013 - Por bruno

Foto: Divulgação
Se a intenção da Polícia Civil foi chamar a atenção do Brasil na Operação PC 27, deflagrada ontem em todo o território nacional, ela conseguiu. Mas não se pode chamar de positivo o desastroso expediente utilizado para retaliar o Ministério Público.
No mês passado, como todos bem recordam, o MP deflagrou em 12 estados uma megaoperação contra crimes praticados em diversas áreas, sobretudo os perpetrados contra a administração pública.
A única semelhança – lamentável – entre as duas operações é busca por holofote como modo de dar demonstração de força frente à PEC 37, que, se aprovada, quem só tem comemorar é polícia judiciária, que verá o MP ser limado perdendo suas atribuições investigativas.
Se a semelhança é só uma, as diferenças, por outro lado, são muitas. Para destacar as principais, a Polícia Civil não tinha investigações em curso. Pelo menos no RN, ela simplesmente juntou tantos mandados de prisões quantos pudesse conseguir e saiu às ruas para cumpri-los.
A polícia, portanto, só fez mostrar serviço, e de maneira inábil. Creiam, pois, que os policiais sequer realizaram levantamento prévio. Saíram aos endereços indicados nos mandados para, só no destino final, saber, por exemplo, que o alvo da prisão havia se mudado ou morrido. Quem teve o azar de estar em casa, sorte para a polícia, foi preso.
Contra a corporação depõe ainda o quadro de degradação do sistema penitenciário. Ficou a impressão que, mesmo a Polícia Civil sabendo das deficiências resultantes da prisão de dezenas de pessoas (foram mais de 140 no RN), insistiu-se na prisão apenas pela repercussão midiática.
A ação da polícia vai ainda contra ela quando dá razão aos argumentos do MP. O parquet acusa a corporação de não investigar crimes do colarinho branco. Quantos dos presos de ontem são acusados de desviar dinheiro público?
Fonte: Blog do BG
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