21 de jan. de 2015 - Por bruno

Foi fácil perceber que a orquestração não visava apenas atingir o blogueiro, elevado a um status que nunca teve. A ideia era atingir o candidato Robinson Faria. Amparada pelo marketing e pelo jurídico, a assessoria da imprensa da campanha, chefiada pelo jornalista Viktor Vidal, prepararam a “toque de caixa” as denúncias e enviaram para os jornais Tribuna do Norte e Novo Jornal, o Portal Noar e sites e blogs que faziam a campanha de Henrique. Colocaram este blogueiro como chefe de quadrilha e que teria recebido 140 mil reais pelo trabalho.

Quem recebeu não foi o blogueiro, mas a empresa em que o blogueiro tem participação, e não foram R$ 140 mil como eles propagaram covardemente. O contrato desta empresa foi 70 mil reais, devidamente registrado, nota fiscal emitida e pagamento realizado para trabalhar de junho a setembro, nesse contrato incluía por nossa conta a contratação de quatro profissionais. Após pagar os salários, durante 100 dias, passagens, alimentação, horas extras e notas fiscais, restou um lucro de 26.800 reais para a empresa. Eles propagavam que o “blogueiro recebeu R$ 140 mil”.

O lucro da campanha foi todo usado para pagar o sócio investidor que há quatro anos investira 30 mil reais na empresa de redes sociais. Fora isso, o exército comandando pela ex-futura primeira dama entrou pesado nas redes sociais para destruir esse blogueiro. Achando pouco o linchamento público por aproximadamente 30 perfis, todos ligados à “primeira dama”, passaram a enviar e-mails para os anunciantes dos blogs com mensagens de pressão. Três empresas foram as mais atingidas. Uma delas recebeu no mesmo dia 18 emails, enviados com nomes diferentes, com o mesmo IP. Nas mensagens, duas frases se destacavam:
“Vou deixar de comprar nessa empresa porque ela anuncia em blog fake”. “Empresa que anuncia em blog Fake não pode prestar”.
O dono de uma das empresas, se sentindo pressionado, me chamou e anunciou que iria tirar o anúncio do blog temendo o efeito daquela avalanche até que os fatos fossem esclarecidos.
Outra empresa, com ligação com eles, suspendeu o anúncio até o final da campanha. Em quarenta anos de vida nunca recebera antes um oficial de justiça na minha casa. Na empresa já recebera por pendências financeiras ou ações trabalhistas. Mas na minha residência nunca.
Foi então que um oficial de Justiça foi à minha casa para entregar uma intimação. O jornal Tribuna do Norte, de propriedade do candidato Henrique Alves, de quem eu fora leitor durante muitos anos e com quem dividira o maior furo do meu blog até hoje, o do caso de Carla Ubarana e os precatórios do Tribunal de Justiça, foi à Justiça para me proibir de reproduzir ou citar qualquer notícia publicada pelo jornal.
A ação datava de 26 de setembro. Em dez dias, tentaram me matar vivo. Um processo, a detonação nas redes sociais e uma intimação da Tribuna do Norte. Um simples telefonema resolveria. Tudo isso feito a mando do cara que um dia me dissera que seria eternamente grato pelo apoio na difícil campanha de 2002.
Naquele momento eu só tinha dois caminhos. Ficar em casa, vendo o choro de minha mulher e de minha mãe, a angústia do meu pai e dos meus irmãos. Ou como diriam os jovens, “cair pra dentro” com todas as energias que eu tinha. Foi o que eu fiz.
Até coisas pessoais usaram nas redes sociais. Minha esposa é uma pessoa discreta. Por ela, eu não teria blog nem perfil em qualquer rede social. A minha esposa ocupa um cargo de confiança anterior à essa campanha política e na ocasião até fui contra isso. Meu nome rodava em whatsapps mais do que brigadeiro em boca de criança. Tudo isso usaram para me intimidar e amedrontar.
No meio do exército da difamação, estava, para surpresa desse blogueiro, um chargista que eu considerava bastante. Aquele a quem eu encomendara por duas vezes caricaturas e de quem fui parceiro na divulgação dos seus projetos e até na montagem de uma iluminação como apoio de uma exposição sua em Natal, após uma discussão no twitter, ele passou a usar seus perfis nas redes sociais para indiretamente atingir esse blogueiro, chegando a fazer insinuações contra minha esposa e minha antiga situação financeira de muita dificuldade.
Tudo isso com veneno puro e ironia carregada de ódio. Para não deixar em branco, sempre citava, nas estocadas, o coordenador do marketing da campanha, João Maria Medeiros.
Insinuava inclusive assuntos tratados numa reunião de que havíamos participado, eu e ele, no inicio da campanha de Robinson, quando ele ainda estava na campanha, antes de mudar de lado. Eu virei o alvo e durante sessenta dias ele carregou nas insinuações e ironias.
Com o mundo desabando na minha cabeça, tomei a decisão de não fugir, meu habitat era as redes, e nelas respondi a todos, mesmo aqueles que me crucificavam terrivelmente. Contando com a ajuda de um batalhão de amigos, de um batalhão de pessoas conhecidas e até de adversários que eu achava que tinha, eu não fugi do confronto, não me escondi e respondi pessoalmente a todas as acusações.
Sou grato a todos, aos amigos, aos poucos colegas da imprensa que foram publicamente me apoiar e aos anunciantes que resistiram às pressões e permaneceram no BlogdoBG.
Fonte: Blog do BG
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