10 de fev. de 2015 - Por bruno

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou nesta segunda-feira (9) ser contra a realização de uma CPI para investigar institutos de pesquisa, mas disse que a comissão será instalada caso tenha cumprido os requisitos técnicos.
Protocolada a pedido do deputado Ricardo Barros (PP-PR), a CPI conta com o apoio de 171 dos 513 deputados, o mínimo necessário para a sua criação. Segundo a análise da área técnica da Casa, também há o chamado “fato determinado”, outros dos requisitos para que ela tenha sequência.
Barros pede que sejam avaliados, desde 2000, supostas contradições, distorções, erros e falhas na divulgação de pesquisas eleitorais. Pede ainda a investigação sobre eventual vínculo entre institutos, veículos de comunicação, partidos ou coligações “que produzam resultados díspares em relação às urnas, favorecendo ou prejudicando candidatos”.
“Eu particularmente acho que não [é necessária investigação sobre institutos de pesquisa], mas o problema todo é o seguinte: a mim, como presidente, cabe cumprir o regimento. Se há um fato determinado no requerimento, cumprido o número de assinaturas, eu querendo ou não querendo não está em conta. Vou ter que cumprir o regimento, como aconteceu com a CPI da Petrobras. A minha opinião não pode prevalecer”, afirmou Cunha.
Ele deve dar o aval para a criação da comissão até esta terça-feira (10). Feito isso, os partidos devem indicar seus integrantes, sem prazo definido para que isso ocorra. Com a composição completa, há a primeira reunião da comissão, ocasião em que há sua instalação de fato.
INSTITUTOS
Diretores de institutos de pesquisas, entre eles Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha, afirmam considerar equivocadas as comparações entre pesquisas feitas dias antes ou na véspera com o resultado das urnas.
“Por trás desses movimentos há sempre uma tentativa de constranger institutos e evitar a divulgação de pesquisas. Há sempre um candidato ou um partido descontente com os resultados”, disse Paulino na semana passada.
O diretor-geral do Datafolha ressalta, no entanto, que embora questionem a divulgação dos levantamentos, políticos recorrem frequentemente a eles. “Os políticos entendem muito bem de pesquisas, tanto que recorrem a elas com frequência. Alguns contratam mais de um instituto para trabalhar com os dados. Os políticos gostam tanto que querem as pesquisas só para eles”, afirma.
FolhaPress
Fonte: Blog do BG
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