06 de abr. de 2020 - Por rodrigomatoso

(Foto: Lula Marques/Fotos Públicas)
O ministro da Educação, Abraham Weintraub, disse nesta segunda-feira (6) que pode pedir perdão por uma postagem considerada racista pela embaixada da China no Brasil caso o país se comprometa a fornecer respiradores ao Brasil.
Em postagem numa rede social neste sábado (4), o ministro da Educação usou o personagem Cebolinha, da Turma da Mônica, para fazer chacota da China e associar a pandemia de coronavírus a interesses chineses. Na mensagem, ele trocou a letra “r” por “l”, assim como na criação de Mauricio de Sousa, para ridicularizar o sotaque de muitos asiáticos ao falar português.
Apesar da postagem, Weintraub negou nesta segunda, em entrevista à Rádio Bandeirantes, que seja racista, disse que já esteve no país e que até tem amigos chineses.
“Eu sou brasileiro. Então, vou fazer o seguinte, meu acordo aqui. Vou lá, peço desculpar, falo ‘por favor me perdoem pela minha imbecilidade’, e a única condição que tenho é que, dos 60 mil respiradores que estão disponíveis, eles vendam mil respiradores para o MEC, para salvar a vida dos brasileiros, pelo preço de custo”, disse na entrevista ao jornalista José Luiz Datena.
O ministro cita que há necessidade de 1.000 respiradores na rede de hospitais universitários ligada ao MEC, que também atende pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde).
Weintraub apagou a mensagem, que tinha o seguinte conteúdo: “Geopolíticamente, quem podeLá saiL foLtalecido, em teLmos Lelativos, dessa cLise mundial? PodeLia seL o Cebolinha? Quem são os aliados no BLasil do plano infalível do Cebolinha paLa dominaL o mundo? SeLia o Cascão ou há mais amiguinhos?”, escreveu o membro do gabinete do presidente Jair Bolsonaro.
A embaixada da China reagiu à manifestação do ministro no início da madrugada desta segunda-feira (6)
“Deliberadamente elaboradas, tais declarações são completamente absurdas e desprezíveis, que têm cunho fortemente racista e objetivos indizíveis, tendo causado influências negativas no desenvolvimento saudável das relações bilaterais China-Brasil”, diz nota divulgada pela embaixada nas redes sociais.
“O lado chinês manifesta forte indignação e repúdio a esse tipo de atitude”, completou.
Weintraub minimizou a mensagem e disse que a apagou a pedido de um amigo e não do próprio presidente. “Falar que eu sou racista é uma acusação que, se fosse um brasileiro, ia ter que provar na Justiça”.
Na entrevista, Weintraub acusou a China de negligenciar informações sobre a doença e agora quer lucrar “com a tragédia”.
“O governo da república chinesa, aonde começou o coronavírus, poderia ter alertado o mundo inteiro que ia faltar respirador. Que nós teríamos 3 meses para fazer respirador. Isso não foi feito”, disse. “Agora, que estamos desesperados correndo atrás de respirador, o que é que acontece? Aparece 60 mil respiradores na China e eles estão leiloando. Aparece um monte de equipamento, de proteção, de máscara, e eles estão leiloando. Então assim, teve tempo deles se prepararem para vender para o mundo, pelo preço mais alto, respirador e máscara”.
Esse não é o primeiro ataque de uma pessoa ligada ao presidente Jair Bolsonaro contra o país onde se registrou o começo da pandemia e que, por isso, é acusado de ter gerado a crise mundial da Covid-19.
A embaixada já havia feito duras críticas ao deputado federal Eduardo Bolsonaro após o filho do presidente, também em rede social, comparar a pandemia do coronavírus ao acidente nuclear de Tchernóbil, na Ucrânia, em 1986, quando a antiga União Soviética ocultou a dimensão do desastre. Membros do governo, como o vice-presidente Hamilton Mourão, tentaram colocaram panos quentes na crise diplomática.
A China é o maior parceiro comercial do Brasil. Em 2018, 26,7% das exportações brasileiras tiveram o país asiático como destino —Pequim lidera o ranking de compradores dos produtos brasileiros, segundo o Ministério da Economia. Entre 2003 e 2019, investiu US$ 79 bilhões no Brasil.
Folha de São Paulo
Fonte: Blog do BG
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